Cadáver Pega Fogo Durante O Velório

dezembro 25, 2008 at 12:34 am 1 comentário

Artificialmente limpa pelo processo Olivetti de tecladismo estéril,a MPB ultimamente não tem correspondido à violência do pais que a produz.Pelo menos a MPB letra O,emanada da burocracia do show-bizz e do oficialismo político do bom humor a preço de hiena.Fernando Pellon vai chocar essa hipocrisia generalizada vendida com rótulo de bom gosto e status.”Nunca gostei de eufemismo”,vai logo cantando ele.E dá nome às doenças,como fazia Augusto dos Anjos,com um requinte de morbidez que aida perde,no entanto,para crueldade exibida diariamente por nossas autoridades mais altas. Quem quiser se assuste com Pellon,que também recobra tradições estabelecidas por arautos das campas tão divergentes quanto Nelson Cavaquinho e Vicente Celestino.Para isso.basta ouvir”Flores de Plãstico ao Amanhecer”.Já o nosso recente Aldir Blanc também poderia ter assinado algo tão flagrante como “Carne no Jantar”.E por aí afora,só para que não se pense que Fernando Pellon é um estranho no ninho,ou alienista fugaz. Melhor que situar tão precocemente sua obra é ouvi-la,com ouvidos desarmados de preconceitos.O poeta vale a pena,o violão,os convidados e os arranjos de João de Aquino e Paulinho Lêmos. TARIK DE SOUZA
No começo dos anos 80, o compositor Fernando Pellon integrava, no Rio, junto com Paulinho Lêmos, Roberto Bozzetti, Renato Calaça, Tunico Frazão, Fatinha Lannes, Paulinho Leitão, entre outros a MALTA D’AREIA, grupo de compositores baseado na pesquisa, leitura, composição, interpretação, criação, etc., da MPB. A MALTA D’AREIA, além do disco “CADÁVER PEGA FOGO DURANTE O VELÓRIO”, fez o show “MAUS COSTUMES”, o musical infantil para teatro “ONDE É QUE CABE UM CIRCO?”, o filme “É MIQUELINA, MINHA MULHER”, etc., apresentando-se freqüentemente na cena cultural do Rio de Janeiro e Niterói. Todas as músicas deste disco são de Fernando Pellon, à excessão de “Tal como Nazareth”, composta em parceria com Paulinho Lêmos, e “Flores de Plástico ao Amanhecer”, com Renato Costa Lima.

O DIA 24-04-84 Roberto M. Moura MELHORES INDEPENDENTES FAZEM SHOW NA FUNARTE O II Troféu Chiquinha Gonzaga, com que a Associação dos Produtores Independentes premia as dez melhores produções alternativas de 1983, será entregue com um grande show no próximo dia 30, às 18:30 horas, na Sala Funarte Sydney Miller. O nível dos elepês premiados (o júri foi formado por críticos de vários Estados) permite uma prévia do que poderá ser o show: Francisco Mário (“Conversa de Cordas, Couros, Metais e Palhetas”), Paulo Moura (“Mistura e Manda”), Joyce (“Tardes Cariocas”), Grupo Alquimia (“Alquimia”), Fernando Pellon (“Cadáver Pega Fogo Durante o Velório”), Helvius Villela (“Planalto dos Cristais”), Pascoal Meirelles (“Tambá”), Turíbio Santos (“Violão Brasil”), Mário Adnet (“Planeta Azul”) e Nivaldo Ornellas (“Viagem Através de um Sonho”). Como se vê, a música brasileira se oxigena para além das gravadoras.


BIZZ Junho 2007 Ricardo Schott TESOUROS PERDIDOS Samba Trash Coletivo de bambas do Rio cantou as doenças e escatologias do país Cadáver Pega Fogo Durante o Velório começa com “Porta Afora”, um samba lindíssimo que destaca o sax-soprano de Marcelo Bernardes e o violão de 7 cordas do virtuose Rafael Rabello. Daí começa a letra: “Quando eu soube que estava canceroso/Ergui louvores ao criador…”. Pois é, bem-vindo ao mundo de Fernando Pellon, autor de todas as faixas do disco. O sambista carioca (hoje geólogo da Petrobras) fazia parte de um grupo chamado Malta da Areia, que se reunia em Niterói (Grande Rio) por volta de 1983, para discutir MPB, compor e bolar projetos culturais – de lá, saíram um filme (É Miquelina, Minha Mulher), uma peça (Onde É que Cabe um Circo?) e este disco. Cadáver… soa como uma porrada ainda não dada. Independente, o LP foi mal distribuído, teve poucos shows, sofreu na mão da Censura – que o deixou retido por um ano – e, nas palavras do próprio Pellon, continua “clandestino”. A capa, cheia de recortes do jornal popular Última Hora, adianta o caráter tragicômico. Emoldurando os sambas e os choros, as letras trazem a dor-de-cotovelo de “Prazer Qualquer”, a tragédia de “Com Todas as Letras” (mesclando suicídio e inconformismo), o terror urbano de “Carne no Jantar” (um pré-Rogério Skylab, que narra um atropelamento e recomenda: “Disfarça e olha com cuidado para não se impressionar/porque, amor, hoje tem carne no jantar”), o samba-enredo fúnebre de “Flores de Plástico ao Amanhecer” e o sadomasoquismo da seresta “Altivez”, com Synval Silva (“Bata devagar/cada membro meu aguarda a sua vez”). Cadáver… é, à sua maneira, um protesto contra a DITADURA. “As letras eram uma forma de resistir, de buscar novos caminhos”, diz. “Na capa, usamos o formato de cartaz dos procurados pela repressão”. Entre seus inspiradores, Pellon inclui sambistas como Noel Rosa, Roberto Silva e Cartola, e discos como Tropicália e Aprender a Nadar, de JARDS MACALÉ. Cadáver… foi lançado em CD com outra capa, em tiragem pequena – e é constantemente distribuído em MP3 em blogs, sites, comunidades do Orkut etc.


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1 Comentário Add your own

  • 1. Lucas Nonose de Oliveira  |  junho 23, 2010 às 4:58 am

    cara que somzeira é esse disco!!!!!!
    não conhecia, valeu por compartilhar! demais!
    valeuuuuuuuuu!

    Responder

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