Luiza Dionizio (2009 – Devocao)

outubro 21, 2011 at 7:05 pm Deixe um comentário

Imperiana de fé, Luiza Dionizio nasceu no dia de Nossa Senhora da Conceição, no subúrbio da Vila da Penha, em um dos seus melhores dias. Bom, pelo menos pra quem já ouviu Luiza cantar. E pra quem ainda não teve a oportunidade vale o aviso: a cantora se apresenta quinzenalmente, nas noites de sábados, no Café Cultural Carioca da Gema, na Lapa – Rio de Janeiro. “É luz, é canto de luz que reluz, luminosa é Luiza”, traduziu Luiz Carlos da Vila, compositor e poeta da Vila da Penha. Devota de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Portela, Luiza se sagrou bicampeã no Festival de Sambas de Terreiro da escola de Oswaldo Cruz. Em 2005 interpretando uma composição de Ratinho e no ano seguinte de Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo. Devoção que a carreira depõe. Bares, bailes, noites adentro, noites afora, projetos, estradas, sonhos, ilusões, desilusões e muitos pedidos em guardanapos de papel nas bandejas dos garçons. E foram essas noites que temperaram o bonito canto de Luiza e lhe propiciaram um extenso e versátil repertório. Do sucesso da última novela das oito a uma antiga gravação de Billie Holiday. Luiza tem várias histórias divertidas dessa época. Certa vez chegou um pedido com o título de “Baía”. A cantora leu, pensou, pensou e não conseguiu identificar a música. No intervalo, foi até ao autor do pedido. E num misto de espanto e comicidade ouviu: “Não conhece? Aquela! Sucesso da Elis”. E mandou em seguida: “Baía a tarde feito um viaduto” Fecha o pano. De pedidos em pedidos, Luiza atendeu o convite para participar do CD independente “Conexão Carioca”, em 1999. Uma coletânea, do baião ao blues, com compositores e intérpretes sem oportunidades nas grandes gravadoras. A faixa ” Da cor do seu batom” de Milton Sivans, na voz de Luiza, teve destaque e rendeu elogiosos comentários na Revista Música Brasileira. E o samba mandou lhe chamar … A freqüência nas rodas de samba da década de 80 -“Pagode da Tia Doca” em Oswaldo Cruz e “Pagode do Arlindo” em Cascadura, – fez com que Luiza conhecesse os tradicionais sambas das Velhas-Guardas, composições de Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho e novos sambas de compositores ainda desconhecidos, como Arlindinho, Zeca Pagodinho, Mauro Diniz e outros, que viriam a ser sucesso. Nas antigas rodas de samba suburbanas ninguém chegava cantando. Pra pegar a senha havia um critério de hierarquia e respeito à ordem de chegada. Mas Luiza ia lá mesmo somente para curtir um bom samba. E de um pagode que findava partia para outro que estava iniciando. Assim como a “Rosalina”, personagem do samba de Luizinho To Blow e Serginho Meriti. Mas ninguém canta samba, verdadeiramente, só porque prefere. Convidada pela cantora Dorina, do bairro vizinho Irajá, integrou o elenco do show “Ginga”, juntamente com João de Aquino, Paulão Sete Cordas e Nadinho da Ilha, nos teatros Rival e Villa-Lobos. Pronto. E o samba em dia de Mário Quintana encontrou a moedinha perdida Luiza Dionizio. Shows em homenagem a Cartola no teatro do BNDES ao lado de Elton Medeiros e Henrique Cazes, tributo a Clementina de Jesus com Moyseis Marques no Centro de Referência da Música Carioca, no teatro Rival com Dona Ivone Lara e Nilze Carvalho em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, apresentações com Luiz Carlos da Vila, Fátima Guedes, Moacyr Luz, e gravações nos CDs Renascença Samba Clube (Conceição da Praia), de Mário Lago (Devolve), de Délcio Carvalho (Notícias de Jornais), provaram que Luiza Dionizio é hoje uma das maiores intérpretes do samba, o que lhe valeu a definição do mestre Wilson Moreira. “Luiza: Genuína voz, traz na alma a pureza e o brilho de uma linda cor com toda a virtuosidade”. O canto instintivo e de rara sensibilidade fez com que Luiza ministrasse aulas numa oficina musical no Conservatório Brasileiro de Música a convite do instrumentista Carlos Malta. O seu primeiro CD acaba de sair pelo selo CCCdiscos e distribuição pela Universal, sob a direção musical e arranjos de Paulão Sete Cordas com regravações de Elton Medeiros, Roberto Ribeiro, Luiz Carlos da Vila e sambas inéditos de Paulo César Pinheiro, Ratinho entre outros. Vale a pena ouvir!

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