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Karina Buhr (2011 – Longe de Onde)

Selecionado no Edital Nacional 2010 do Natura Musical, o projeto patrocinado pela Natura contempla, além da gravação do disco, cinco shows de lançamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Campinas, em novembro e dezembro

A música de Karina Buhr tem o sim e o não. Em sua poesia existe esperança e morte, solidão e amor. Se compor é assumir todas as possibilidades, em uma canção cabem todas as ideias, pensamentos, sensações que se for capaz de imaginar e sentir. Da primeira à última das onze faixas de Longe de Onde, segundo álbum solo de Karina, a vida é uma surpresa.

Assim como em seu primeiro disco (“Eu Menti Pra Você”, janeiro de 2010), o novo foi produzido por Karina ao lado de Bruno Buarque e Mau, respectivamente baterista e baixista e estrutura base para suas narrativas musicais cheias de rasteiras nas expectativas. Liga que se completa com o tecladista André Lima e o trompetista Guizado, mais a impressionante dupla de guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau, camadas de som se alternando e se encontrando.

Banda meganinja que acompanha a espontaneidade das canções e conduz a eletricidade em alta voltagem de Karina: ao vivo é uma experiência, disco é pras canções nascerem. Tudo leve e tudo denso. E tão particular que uma das coisas mais fascinantes de um segundo disco é ver o que não era coincidência nem vira acidente, o que se torna a voz, o que se cristaliza como personalidade artística – ou o que cabe no nosso ouvir.

Tematicamente, eu-liricamente, melodicamente, nos arranjos e letras plurais nos estilos e abordagens, as composições de Karina são a invenção de um mundo sem limites – geográficos, conceituais, de imaginação. Universo que se expande do punk rock de “Cara Palavra” à poesia aguda de “Não Precisa me Procurar”. Nas imagens de pista de dança versus campo de guerra de “The War’s Dancing Floor” à pressão surf music de “Guitarristas de Copacabana”. Do encontro de leveza e fatalismo no delicioso reggae “Cadáver” ao dueto de voz e guitarra na bela “Amor Brando”. E na sinceridade irresistível da quase new wave “Não me Ame Tanto”.

Em uma recente viagem ao Marrocos depois de um show do festival Roskilde, na Dinamarca, atraída pela beleza do lugar e da escrita árabe nas ruas, pela simbologia da proximidade distante, Karina registrou em Casablanca a imagem de capa do disco, foto de Jorge Bispo. Longe depende de onde, mas longe também é onde. Karina Buhr não é de nenhum lugar que você conhece. Riqueza de interpretações, insinuações, declarações, provocações, despadronizações.

Com seu romantismo e existencialismo, lirismo e ironia, Karina é absolutamente sincera nas mentiras da arte, da representação, da sugestão anticlichê em composições de ritmo oral, esperto e instintivo. Lógica própria, que se apresenta e existe de pronto. Experiências que se somam, nenhuma coisa em si exatamente definindo ou explicando. A poética é invulgar e literalidade é limitação. A vivência é única, e é justamente nessa coisa única que tudo se torna mais interessante. Falar muito é como explicar a piada: para fazer ideia, só ouvindo e pensando e sentindo.

Ronaldo Evangelista Outubro/2011

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outubro 17, 2011 at 6:16 pm 2 comentários

Karina Buhr (2010 – Eu Menti Pra Você)

De meia rendada, sapatinho de menina, presilha no cabelo, maquiagem colorida, Karina Buhr quase engana um incauto com uma carinha tímida. Logo seus olhos meio esverdeados se lançam sobre a platéia e saem da boca dessa figura doce que “uma fúria odiosa já está na agulha” ou uma canção de ninar pras crianças de Bagdá que diz ”dorme logo antes que você morra, está chovendo fogo e as ruas estão queimando”. Karina trabalha com o espontâneo e o inusitado de quem diz que quer passar a tarde estourando plástico bolha mas com um conteúdo muitas vezes desestabilizador. Suas imagens não são comuns e há qualidade na construção: “o céu embaixo das nuvens, a terra por baixo do asfalto, o centro da Terra que puxa a gente, a gente pula contra a vontade do chão”. Até pra falar de amor o discurso poético não é óbvio: “fria, não miro a ira, não miro mas te acerto no peito, quando mudo meu amor de endereço.
Karina nasceu na Bahia, mas foi criada em Pernambuco onde viveu intensamente a música de raiz, as pastoras, o cavalo marinho, o maracatu. E traz de lá esse colorido em suas músicas e letras. Tem qualquer coisa de sonho a impressão que fica ao ouvir seu disco, ao ver seu show. Uma nuvem te envolve. E eu acredito que esse barato se dá pela originalidade de seu discurso que está nas letras, na postura de palco, na concepção musical contemporânea, livre da definição de gêneros e estilos. A diversidade é hoje uma realidade cultural e Karina Buhr é um talento em destaque nessa cena.
Há cerca de dez anos, Itamar Assumpção me disse o seguinte: “A música brasileira tem muitos melodistas populares, Luiz Gonzaga, Monsueto, Cartola, Lupicínio, Adoniran, as melodias são eternas, então se você diz que está na tal MPB tem que prestar atenção nisso, ser diferente é o mínimo!”

Karina Buhr é diferente. “Eu Menti pra Você” é seu disco de estreia em carreira solo depois de anos no Comadre Fulozinha e já é uma das melhores coisas desse ano que começa agora. Os músicos são o que há de melhor nessa geração: Bruno Buarque (bateria, base mpc), Mau (baixo), Guizado (trompete), Dustan Gallas (teclados e piano), Otávio Ortega (teclados e bases eletrônicas), Marcelo Jeneci (acordeon e piano) e as guitarras mais incríveis do país Edgard Scandurra e Fernando Catatau, além da atriz alemã Juliane Elting e do percussionista cubano Pedro Bandera. Os caminhos sonoros, como já disse, vão muito além do conhecido. As referências estão diluídas na originalidade dessa reunião de talentos e faria feliz o exigente Itamar como faz a mim.

Há muito tempo eu esperava ouvir algo assim. Pra entender o que eu digo ouça o disco com liberdade e atenção pra aprender com Karina Buhr quando ela diz “pelo avesso vamos pro fundo (…) sinto muito que você não pensa nisso, surpresa sua. Mas pode ser também surpresa minha, surpresa sua”. E fique feliz!

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fevereiro 10, 2010 at 7:29 pm 1 comentário

Karina Buhr (Ao Vivo no Prata da Casa e Vozes do Brasil)

A cantora, compositora e percussionista Karina Buhr, iniciou sua carreira musical em 1994 como baiana do maracatu Piaba de Ouro e batuqueira do maracatu Estrela Brilhante. De lá pra cá foram inúmeros os grupos dos quais participou, entre eles as bandas Eddie, Bonsucesso Samba Clube, DJ Dolores, Véio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas entre outros, além de trabalhos expressivos em dança e teatro. 

Karina também assina as ilustrações dos CDs da banda Comadre Fulozinha. À frente da banda desde 1997, se apresentou, além do Brasil, em diversos palcos da Europa, Canadá e EUA, recebendo os melhores elogios da crítica especializada. Gravou três CDs, o terceiro com lançamento previsto para fevereiro de 2009.

A banda que a acompanha é formada por Otávio Ortega (teclado e programações), Bruno Buarque (bateria), Mau (baixo) e Guilherme Mendonça (trompete). Nas palavras da jornalista Patrícia Palumbo: “Karina é uma compositora talentosa, singular, de poesia tocante. Seu sotaque ao cantar confere uma nota especial ao som. A formação da banda é um grande achado: baixo, bateria, teclados e sopros; não tem nem violão nem guitarra, e os músicos são nossos velhos conhecidos, jovens e incrivelmente talentosos”…”Suas canções tem o lirismo dessas manifestações de raíz, um clima de filme e de romance”. Karina também integra a banda da cantora Iara Rennó com o show Macunaíma Ópera Tupi, participa como convidada da banda Mamelo Sound System, do projeto solo do guitarrista Fernando Catatau. Participou do projeto Era Iluminada – Mangue Beat, do SESC Pompéia, dividindo o palco com a Nação Zumbi, Siba e a Fuloresta, Junio Barreto, Fábio Trummer, Lia de Itamaracá entre outros. Rebatizado Admiral Recife, o show integrou a programação do Reveillon 2008/09 no Marco Zero em Recife. Radicada em São Paulo há 5 anos faz parte da companhia Teatro Oficina, de José Celso Martinez Correa, como atriz, cantora, percussionista e compositora. Com o grupo participou de “Os Sertões” em temporadas em São Paulo, na turnê brasileira 2007 (Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Quixeramobim e Canudos), na gravação dos DVDs e na abertura da temporada 2005/2006 do teatro Volksbühne, em Berlin. Com o grupo ganhou o prêmio Shell São Paulo de Teatro 2002, na categoria melhor trilha sonora. Tem participação em CDs da Mundo Livre s/a, Eddie, Erasto Vasconcelos, Antônio Nóbrega, Dj Dolores, nas coletâneas Reiginaldo Rossi, Baião de Viramundo, Pernambuco em Concerto, Music from Pernambuco, Música de Pernambuco, Revista Bexiga Oficina do Samba e na coletânea infantil Brincadeiras, do produtor Marc Regnier, com a música Sonhando, de sua autoria.

Participou das peças A História do Amor de Romeu e Julieta (adaptação Ariano Suassuna), direção de Romero Andrade Lima, no Festival de Teatro de Curitiba e Porto Alegre em Cena (1997). Atuou e fez direção musical de O Pequenino Grão de Areia, de João Falcão, direção Luciana Lyra (2006/2007). Assina co-direção da trilha do filme pernambucano Orange Itamaracá e participa das trilhas dos filmes O Baile Perfumado, Deus é Brasileiro, Fábio Fabuloso, Narradores de Javé, dos curtas Enjaulado, A Garrafa do Diabo e da peça e do filme A Máquina.

web da KarinaDownload

março 30, 2009 at 11:03 pm 1 comentário


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